quarta-feira, 24 de junho de 2015

Malalas e Marianas





Qualquer pessoa minimamente informada sabe quem é Malala Yousafzai: menina paquistanesa, a pessoa mais jovem laureada com um Prêmio Nobel, Malala luta pelo direito à educação especialmente das meninas. É sua a famosa frase “Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo.” Apesar das dificuldades, de morar numa área dominada pelo Talibã, resistiu bravamente, dia após dia, enfrentando o medo e a insegurança, para frequentar a escola e aprender, sendo alvejada no rosto por causa disso, ficando entre a vida e a morte. Malala sobreviveu e é um exemplo de coragem e persistência.

Essa história não é novidade e pode ser conferida em detalhes nas reportagens de jornais e revistas bem como nos livros sobre a corajosa menina. Bem diferente de trajetórias como a de Mariana*, uma menina de quase nove anos que, até 2015, nunca havia frequentado a escola. Mariana não mora no Paquistão. Nunca foi ameaçada de morte pelo Talibã. Ela vive no Brasil, país que praticamente universalizou o acesso à escola pública nos últimos anos. Por que motivo, então, Mariana esperou tanto para ir à escola? Porque sua mãe não queria. Sim, apesar de ser responsabilidade dos pais ou responsáveis, prevista em lei, a matrícula das crianças na rede pública de ensino, ainda há quem não o faça. Muitos podem ser os motivos; com certeza a dificuldade de acesso não constitui um deles.

 Provavelmente quem evita que um filho frequente a escola não está suficientemente convencido da importância dela na vida de uma pessoa. Ao contrário do que acontecia com Malala, cujo pai, professor e fundador da escola que a filha frequentava, homem culto, informado, muitos brasileiros ainda não estão suficientemente convencidos sobre a importância de aprender, de estar numa sala de aula. Aí aparecem as Marianas, crianças deslocadas numa turma de 1º ano, que não frequentaram a pré-escola ou Educação Infantil, que poderiam estar juntamente com alunos de sua idade, talvez no 4º ano, mas que se encontram numa triste situação de atraso e defasagem da aprendizagem. 

Felizmente, vivemos (teoricamente?) num país livre e democrático no qual não existe Talibã. Mas precisamos todos, adultos, idosos, jovens e crianças, do espírito e da coragem de Malala. E, sobretudo, de mais informação e conhecimento, pois somente através deles as Marianas estarão na escola, felizes e aprendendo, no tempo certo.

 *Nome fictício.

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